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Greve dos Correios acabou, mas atrasos nas entregas ainda frustram

Mesmo após decisão da Justiça do Trabalho que determinou o retorno imediato dos funcionários, os atrasos nas entregas dos Correios continuam afetando consumidores em todo o Brasil. Usuários relatam que encomendas, correspondências e até boletos bancários seguem sem chegar ao destino, semanas depois das datas previstas.

A situação ocorre em meio a uma grave crise financeira da estatal, que já recebeu bilhões de reais em empréstimos avalizados pelo Tesouro Nacional para tentar equilibrar as contas.

Parte das dificuldades é atribuída ao alto volume de ações trabalhistas, que pressiona o orçamento da empresa, e à paralisação de funcionários durante o período de maior demanda logística do ano, entre o Natal e o Ano Novo.

Acúmulo de encomendas

Durante a greve, os Correios deixaram de priorizar as entregas típicas do fim de ano, o que resultou em acúmulo de encomendas nos centros de distribuição. Compras feitas para datas comemorativas ficaram retidas, e, mesmo após a decisão judicial que determinou a retomada das atividades, os atrasos seguem sendo relatados por consumidores em diferentes regiões do país.

Além das encomendas, boletos bancários também não estão sendo entregues, o que afeta principalmente pessoas que ainda dependem da correspondência física para realizar pagamentos. Em alguns casos, usuários afirmam ter enfrentado multas e juros por contas que chegaram após o vencimento.

A persistência dos problemas levanta questionamentos sobre a fiscalização do cumprimento da decisão judicial e sobre a capacidade operacional dos Correios de normalizar os serviços em curto prazo.

O que dizem os Correios

Em nota oficial, os Correios afirmaram que todas as atividades operacionais foram restabelecidas desde 31 de dezembro de 2025, após o julgamento do dissídio coletivo pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), realizado no dia 30 de dezembro.

Segundo a empresa, o movimento de paralisação parcial foi encerrado e, neste momento, o foco está na normalização dos fluxos de entrega e do atendimento em todo o país. A estatal informou ainda que as equipes estão mobilizadas e trabalhando de forma contínua para reduzir os impactos e garantir a qualidade dos serviços.

Os Correios disseram que seguem acompanhando os desdobramentos formais da decisão, com a publicação do acórdão, e que novas atualizações serão comunicadas pelos canais oficiais.

Posição do sindicato e direitos dos trabalhadores

O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo (SINTECT-SP) destacou que a campanha salarial 2025/2026 foi resultado de mobilização e levou ao julgamento do dissídio coletivo no TST. Entre as principais conquistas estão:

  • Reajuste salarial de 5,10%, aplicado a partir de 1º de agosto de 2025, com pagamento retroativo;
  • Adicional de 70% sobre as férias;
  • Reajuste nos benefícios e nas funções.

O sindicato também informou que o direito de oposição à taxa negocial poderá ser exercido por trabalhadores não sindicalizados no prazo de 10 dias, a partir de 9 de janeiro de 2026. A contribuição corresponde a 2% da remuneração, descontada no mês da aplicação do reajuste salarial, e tem como objetivo fortalecer a atuação sindical.

Segundo o SINTECT-SP, todas as conquistas do acordo coletivo valem para toda a categoria, independentemente de filiação sindical, e a entidade reforça que a organização coletiva é essencial para a manutenção de direitos.

Normalização ainda é desafio

Enquanto empresa e sindicato destacam o fim da greve e os avanços no acordo coletivo, consumidores seguem enfrentando incertezas quanto à regularização das entregas. A expectativa agora é que, com o retorno integral das atividades, os Correios consigam reduzir o volume represado e restabelecer a confiança no serviço postal.

Até lá, as reclamações de atrasos continuam se acumulando, refletindo não apenas os efeitos da paralisação, mas também os desafios estruturais e financeiros enfrentados pela estatal.

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