As investigações da PF (Polícia Federal) apuram se o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), teria recebido um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,4 milhões como propina do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master.
Líder do governo Lula no Senado, Wagner foi um dos alvos da nova fase da Operação Compliance Zero, que apura a suposta fraude financeira do Banco Master. Também está na lista de alvos Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro.
A PF identificou uma conversa de novembro de 2024, em que o senador repassava dados do imóvel a Augusto Lima, incluindo o contato de um gerente da construtora responsável pelo empreendimento, a unidade em questão e o valor.
No dia seguinte, também teria encaminhado o material digital de apresentação do imóvel.
A Polícia Federal apura se a aquisição do imóvel foi viabilizada por meio de estruturas societárias e financeiras interpostas ligadas ao grupo investigado.
Procurada pela CNN, a defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências realizadas pela PF hoje são “desnecessárias” e negou qualquer prática ilícita.
“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”, diz o comunicado.
“Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.”
A CNN também entrou em contato com a defesa de Jaques Wagner. O espaço segue aberto.
Relembre a operação Compliance Zero
A primeira fase da operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025, quando a PF prendeu pela primeira vez Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. Na ocasião, entre outros seis alvos, também foi preso Augusto Lima.
Naquele dia, o BC (Banco Central) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Dias após sua prisão, Vorcaro foi solto e passou a utilizar tornozeleira eletrônica. Em março, em uma nova fase da operação, o ex-banqueiro foi preso novamente. Atualmente, ele está detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Ao longo dos últimos meses, a investigação apontou uma rede complexa liderada por Daniel Vorcaro, que incluía articulação política e gerenciamento de um grupo responsável por intimidar desafetos, acessar sistemas restritos e obter informações sigilosas.
